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domingo, 4 de julho de 2010

‘Justiça como coadjuvante de crimes passionais’ acerta


Atualizado às 12h11 - 13/07
O caso do jogador Bruno, do Flamengo, abre polêmica em torno de decisões judiciais que se tornam agentes coadjuvantes em crimes passionais. A notícia-metáfora (04/07), produzida por Marina Schettini e disponibilizada no site do jornal O Tempo, acertou na mosca o alvo da 62ª semana do Target NewsWeek, game de análise de notícias que classifica as cinco (se houver)que fizeram a diferença ao longo da semana. Ainda sem solução, o caso envolvendo o goleiro do Flamengo, Bruno, expõe uma justiça que provoca mais discórdia ao invés de apaziguar relacionamentos em litígio. É de conhecimento público que a ex-amante do jogador, com quem teve um filho fruto de uma relação extraconjugal, buscava na justiça pensão alimentícia de cerca de 20 mil reais, o que teria causado a ira do atleta. Por precaução, a jovem postou no Orkut gravações em que ele teria feito pesadas ameaças contra ela, por se sentir usurpado com a decisão judicial. Se a essência da justiça é manter o equilíbrio social e o senso de justiça no seio da sociedade, nos casos envolvendo separações litigiosas, os juízes vêm premiando mulheres com pensões aviltantes e anuência da própria lei. Essas decisões acabaram criando as chamadas mães de ocasião – aquelas que não medem esforços para conseguir uma pensão milionária a custo de dor e sofrimento de quem elas se aproximam. Não em troca de uma relação recíproca normal entre casais, mas como forma de usurpação financeira do parceiro. Mas isso ainda não é tipificado como crime comum – estelionato passional. Sonolenta, a sociedade ainda não enxerga na ação maléfica dessas mulheres qualquer tipificação de crime. Enquanto isso, prosperar neste país acaba premiando usurpadoras de plantão. Elas estão em todas as esferas sociais, à espera da próxima vítima. O otário pode ser você, eu, ou aquele juiz que ainda não percebeu a não tão nova assim modalidade de crime. Até quando?

"As marias-chuteiras existem, sim, e aos montes. Elas são mulheres bonitas que partem para cima dos jogadores. Já fui a muita festa que eles fazem e chamam essas mulheres. São festas fechadas e feitas às escondidas", revela Amanda Romeu, que ficou conhecida como a Musa do Galo.

Causas e consequências da notícia A decisão do jornal O Tempo de editar a matéria revela a coragem de seus editores em abordar um tema tão underground e espinhoso, o qual a sociedade ainda teima em não reconhecer como extremamente grave. No início do século 20, as mulheres queimaram sutiãs contra a opressão ao sexo feminino. Naquela época, o gesto representou de verdade uma mudança de comportamento principalmente em relação ao mercado de trabalho. Afinal, no próprio lar, as mulheres ainda hoje são vítimas dos próprios homens que dizem amá-las. Mas o estelionato passional com anuência da justiça não soluciona a desequilibrada relação entre homens e mulheres. Deve haver outra saída ao invés de encher cadeias com homens que, por algum motivo, insistem em não pagar pensões estipuladas pela justiça. Enquanto vivemos nesse impasse, as mulheres são mortas por seus maridos, amantes, namorados, enfim, por quem se aproxima delas em nome do amor, mas que no final das contas acaba cometendo mesmo crime tipificado como passional, quando na verdade deveria ser um crime comum, mesmo.

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Não houve acerto

domingo, 20 de junho de 2010

'Apartheid cultural em BH' acerta alvo da 60ª semana


Atualizado às 07h47 - 25/06 Realmente, Belo Horizonte sempre foi uma cidade dividida. A prova veio com a arena da copa, principal atração da prefeitura de Belo Horizonte para o Mundial da África. A notícia-metáfora (11/06), produzida por Luiz Gustavo e disponibilizada no site do Uol, acertou na mosca o alvo da 60ª semana do Target NewsWeek, game de análise de notícias que classifica as cinco (se houver)que fizeram a diferença ao longo da semana. Além da arena montada na Praça da Estação, outra estrutura foi erguida na Praça JK, na Zona Sul da capital mineira, de onde os torcedores podem assistir aos jogos da copa através de um telão, além de diversas atrações musicais. Ao menos na abertura da Copa do Mundo, a arena montada na Praça da Estação esteve praticamente vazia em sua inauguração, o que não esconde a hipocrisia dos organizadores de fazer o favor de montar duas estruturas separadas por classe social: uma para os pobres e outra para os bem aquinhoados. A falta de organização e planejamento de eventos culturais em BH vai muito além de uma questão de logística. Passa necessariamente por uma cultura de apartheid que separa a elite dos cidadãos que residem na base da pirâmide social. Um exemplo é a Vila do Papai Noel montada há alguns anos na Praça Mangabeiras. Um evento que poderia ser itinerante só reforça a tese de apartheid cultural na Cidade Jardim, como 'Beozonte' ficou conhecida.

Apartheid ("separação" em africânder) foi um regime de segregação racial adotado legalmente em 1948 pelo Partido Nacional na África do Sul segundo o qual os brancos detinham o poder e os povos restantes eram obrigados a viver separados dos brancos, de acordo com regras que os impediam de ser verdadeiros cidadãos. Este regime foi abolido por Frederik de Klerk em 1990 e, finalmente, em 1994 eleições livres foram realizadas.

Causas e consequências da notícia A notícia reforça a tese de que a mídia só tem feito alargar ainda mais esse apartheid cultural que a cidade sempre tentou esconder. Já não é novidade para ninguém a cultura dos telejornais locais de só reportar eventos culturais depois de ocorridos, sem ao menos terem sido anunciados com antecedência o dia e a hora de realização dos mesmos. Coincidência ou não, isso só acontece com os eventos onde a elite belo-horizonte tem lugar cativo. Mas quando as empresas de mídia tem interesse de monetização recorrem à audiência da massa ignara. É o caso do show do Skank no Mineirão, antes da reforma do estádio para a Copa de 2014. A emissora de TV participante do evento não se cansa de fazer chamadas. Tal lacuna revela que o apartheid não morreu nem na África nem aqui. Estamos todos segregados por algum motivo... Lá, os brancos ainda resistem à igualdade racial, aqui tememos assistir a um simples jogo de futebol, juntos.

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domingo, 13 de junho de 2010

‘Imagem da Seleção ofuscada por Dunga’ acerta 59ª


Para não mencionar os verbos “manchar”, “vilipendiar”, “arranhar”, “chutar”, preferimos usar de eufemismo para ilustrar a capacidade de Dunga de “ofuscar” o brilho do nosso principal produto de exportação: a imagem vitoriosa da Seleção Brasileira. A notícia (13/06), produzida por Carlos Eduardo Mansur e Maurício Fonseca e disponibilizada no site Globo.com, acertou na mosca o alvo da 59ª semana do Target NewsWeek, game de análise de notícias que classifica as cinco (se houver)que fizeram a diferença ao longo da semana. Não bastasse a falta de bom senso na convocação de jogadores (deixando de fora estrelas que a FIFA ostenta em seu site oficial), o rei Dunga chegando à África passou a agir como um ditador, fechando treinos para a imprensa e, por tabela, deixando os torcedores brasileiros sem acesso ao seu maior produto de exportação. Para os leigos de plantão, o que faz o mundo girar não é nenhuma commodity ofertada em bolsa de valores mas, sobretudo, a imagem produzida desses mesmos produtos pela comunicação social. No caso da Seleção Brasileira foi a imagem vitoriosa do selecionado brasileiro ao longo de sua história que garantiu aos demais produtos brasileiros a aura de grandeza que hoje eles ostentam. O aço, o petróleo, o minério de ferro, o etanol, todos esses produtos precisaram colar a sua imagem à da seleção brasileira para garantir algum sucesso fora do Brasil.

Até a derrota por 2 a 1 da Seleção brasileira para os uruguaios no Maracanã, o Brasil amargava um dos piores imaginários que um país pode ostentar. Seu povo andava de cabeça baixa com vergonha do seu próprio país. Até então, a imagem do brasileiro era de um povo derrotado. Perdedor! Oito anos depois, tudo mudou com a arte traduzida nos pés de Pelé, no Mundial da Suécia. A partir da conquista de 58, o Brasil trocou o sapato furado para andar de bola cheia. A nossa exportação cresceu em todos os setores de forma exponencial. E pensar que ainda tem gente que gosta de pichar a imagem de Pelé, ignorando o fato de ele ser ainda um dos principais personagens de nossa identidade nacional. Aliás, só vemos alguém tremulando a bandeira do Brasil pelas ruas em épocas de copas do mundo. Uma mera coincidência?

Causas e consequências da notícia O teor dessa notícia é tão sério que a CBF (que tem poder político e econômico maior que muitos ministérios do Governo Lula) não poderia jamais ser uma entidade privada. Mas é! Terrível, não acha? Mas estamos no Brasil, onde a comunicação social é formatada na perspectiva do imaginário da nossa elite social. Não por acaso os postos diretivos das assessorias de comunicação das principais empresas do país são preenchidos a dedo por pessoas ligadas às oligarquias dominantes. Não entendo (entendendo) como o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, vê tudo isso acontecer diante de seus olhos de forma no mínimo confortável. Ao contrário da CBF, a Honda (empresa fabricante de carro japonês) escalou o jogador Ronaldinho Gaúcho em sua propaganda ligada à Copa do Mundo, com a finalidade de fortalecer ainda mais a imagem que a empresa japonesa tem junto aos brasileiros. Ora, Ora! Algo precisa mudar antes da Copa de 2014. Afinal, não queremos que a CBF tenha mais poder que o presidente da República quando a bola começar rolar no Brasil.

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Não houve acerto

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