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domingo, 14 de março de 2010

"Abuso de 'suposto' e 'teriam' por Jabor" acerta alvo


Em 3 minutos e 25 segundos de gravação, o jornalista Arnaldo Jabor usou nada menos que 18 vezes o adjetivo "suposto" e 6 vezes o verbo "teriam", ambos usados intencionalmente na forma condicional em seu comentário matinal 'cheio de dedos', para reportar a busca por justiça concomitante e inusitada do Ministério Público Federal, Supremo Tribunal de Justiça, Supremo Tribunal Federal e Câmara Legislativa do Distrito Federal. O comentário (09/03), produzido por Arnaldo Jabor e veiculado na Rádio CBN, acertou na mosca o alvo da 46ª semana do Target NewsWeek, game de análise de notícias que classifica as cinco que fizeram a diferença ao longo da semana. Os assuntos sobre os quais Jabor expõe em seu comentário recheiam as capas dos jornais todos os dias: corrupção política. Embora Tancredo Neves tenha sido um dos articuladores de nossa libertação há 25 anos das mãos nefastas da Ditadura, o texto de Arnaldo Jabor revela como o jornalismo nos países periféricos ainda é formatado pelo medo de ações judiciais contra os profissionais que ainda berram pela verdadeira face da democracia real. Ao usar e abusar do adjetivo "suposto" e do verbo "teriam" na forma condicional, o velho - mas sempre novo jornalista -, nos remete para uma terrível constatação: o jornalismo como arma democrática acabou! Pelo menos por aqui, na Argentina, Venezuela, Cuba... Até o tradicionalíssimo jornal o Estadão está nada menos do que há 226 dias sob censura judicial, justamente por querer manter a sua tradição de revelar os fatos como eles realmente são. Não pode! A "justiça" não deixa! E ninguém não está nem aí... Será que a TV não deixa? Será que ela nos engoliu a todos com a sua fantasia, com seu faz-de-conta? Até quando Jabor fala em ação positiva do judiciário, usa de muletas jornalísticas para não dizer tudo aquilo que quer dizer. Se o jornalismo como conhecemos faz figuração para se manter vivo, que os jovens busquem novas formas e suportes narrativos para dizer o que querem. O Twitter é uma saída? Não-sei-não!

Reveja agora as outras notícias que acertaram o alvo na última semana:

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